Era uma bela tarde de sábado, e os alunos do CEBES já estavam dentro de sala de aula. -Ninguém merece...Aula em pleno sábado de sol! -alguns alunos reclamavam com outros, que assentiam bravos com a cabeça. -Parem de reclamar! Por Merlin, o dia ta lindo pra estudar, e vocês ainda reclamam??? -disse uma única aluna que acabara de entrar dentro de sala de aula. -Cala a boca Elisha, sua CDF, ninguém é igual a você não, ta? -gritou do fundo da sala Raphael, o mesmo que dera em cima de Li na festa de Carnaval. -Mas se você quiser... -ele começou novamente, com uma insinuante e sedutora voz. -Eu viro CDF por você... -completou ele, arrancando assobios, suspiros, gargalhadas, até mesmo uivos dos outros alunos e a vermelhidão no rosto de Elisha. -Claro, meu querido, eu sou única, e não há ninguém igual a mim... -ela deu uma de Gabi para tentar contornar o constrangimento. -E quanto a virar “CDF” por mim, meu amor... -ela ergueu a cabeça, respirou fundo e continuou. -Será impossível que isso aconteça, porque você não tem cérebro suficiente para isso. Aliás, a parte do seu cérebro que funciona só serve para ir de encontro aos lábios de uma qualquer, não é mesmo? –completou ela, agora arrancando os mesmos barulhos que os alunos fizeram há segundos atrás. Raphael abrira a boca para responder à morena, mas um aluno o interrompeu: -Sentem-se todos! A Milu ta vindo!!! -exclamou o tal aluno, que sempre vigiava pela porta quando algum professor chegava. Todos corriam para seus lugares como formigas assustadas e o último segundo que faltava para a professora de História da Magia entrar em sala de aula, Elisha deixou sua varinha cair. A solução para tamanha má sorte, foi colocar os pés em cima desta, antes que Milu a visse e mandasse Li para a detenção. -Bom dia. -ela entrou dentro de sala e examinou-a de um canto à outro. -Bom dia, Srta. Silveira... Está tudo bem? -Milu observara a posição do pé de Elisha que não estava paralelo à posição do outro. -Está sim, professora Milu... Eu quero dizer... M-Maria da Luz, eu só deixei cair meu lápis... -Li rápidamente pensou em um objeto trouxa. -Lápis? O que é um lápis, Srta. Silveira? -Milu olhava fixamente para a morena, que cada vez ficava mais e mais embaraçada. -B-bom... -ela tentou se explicar. -Professora, er... Sabe o que é? É que eu amo assistir às suas aulas, e com todo o respeito, se a senhora ficar conversando muito com a Srta Silveira perderemos sua tão magnífica e imperdível aula. -certo aluno disse, tentando encobrir Elisha. -Oh, Sr Chanel, o senhor me impressiona às vezes, sabia? -Milu se encantava facilmente quando a elogiavam ou até mesmo às suas aulas. -Então vamos à aula. Bom, as fadas, antes descobrirem que os gnomos invadiram parte de seu território... Elisha olhou para trás prontamente a agradecer a Diego. Ela sorriu e apenas moveu os lábios no que ele entendeu como um “obrigada” e voltou à aula. Três horas passaram-se e os alunos saíam da sala da professora Maria da Luz. Já estavam cansados de ouvir a história sobre gnomos, fadas, guerras, invasões, e qualquer outro tipo de história com relação àquilo. -Li, espera! -Diego gritou ainda do lado de dentro da sala para Elisha, que já saía pela porta. -To aqui do lado de fora! -Li bradou para o loiro que esperou os alunos saírem para sair também. -Bom, ainda tá de pé o que a gente marcou, certo? -disse ele, quando finalmente conseguiu sair da sala. -O que marcamos? Ah sim, claro, claro, vamos ensaiar Romeu e Julieta, certo? Depois das aulas...Certo... -ela sorriu e abraçou Diego sem fazer idéia do por quê. Logo desvencilhou-se dele. -Hum...Obrigada por me...Encobrir na...Aula... -Elisha novamente estava hipnotizada pelos olhos do rapaz e com o rosto um tanto próximo. -Eu...Devo ir...Bem, nós devemos... -Li agora olhava para o chão, fugindo do olhar do rapaz. -Certo... -ele assentiu com a cabeça e suava frio. -Nós vamos juntos? -An...Não dá...Eu quero dizer...Tenho que pegar alguns materiais no meu quarto...Bom, até mais... -ela respondeu, antes de sair correndo do local. -Será que ela também... -Diego pensava. –Não seja bobo, Chanel... -Será que ele sente... -agora era a vez de Elisha. -Oh por favor Li, não imagine o que não há! Elisha foi até seu quarto, pegou seus materiais e foi correndo para a aula seguinte, de Trato com Criaturas Mágicas. Ao contrário das três horas passadas com Milu, as três horas na aula de Trato com Criaturas Mágicas passaram-se quase que voando. Todos os alunos, principalmente as alunas gostavam das aulas do professor Marcos, que era bem atraente por sinal. Logo depois, os alunos tiveram a última e mais esperada aula do dia: Teatro. Alguns admitiam que esperavam por ela não por ser interessante, mas por ser a última na semana, mas outros diziam-se fãs das artes cênicas. -...Então pessoal, dividiram-se em casais? Façam suas duplas que distribuirei as falas de cada um. -a professora Alexandra disse animada. Os casais montados já no dia anterior uniram-se, sem dilações. Alex sorteou e distribuiu a cada casal uma seqüência de falas do romance de Romeu e Julieta, de William Shakespeare. Logo, os alunos começaram seus questionários sobre quem fora Shakespeare, aonde nasceu, e aí Alex foi dando sua aula. -Bom pessoal, vocês têm hoje e amanhã pela manhã para ensaiarem o texto, pois eu o quero pronto amanhã pela tarde. -a professora ainda assim dizia docemente, já nos minutos finais da aula. -Mas professora! -uma aluna assustada bradou do fundo da sala. -Queridos, não há muito que decorar! Podem conferir que não são nada além de algumas poucas linhas para cada um. -ela olhou o relógio no alto da sala e viu que já passara do horário. -Bom, já passamos do horário! Até amanhã queridos, e decorem, pois quero tudo perfeito amanhã, certo? Até mais! Elisha, você fica para arrumar a sala? -a professora instantaneamente voltou o olhar para Li, que acompanhava Diego, que sorria para ela. -Claro professora, como sempre! -Li prontamente já começara a arrastar as mesas para seus lugares. -Professora, eu a acompanho...Sabe, para ir mais rápido! -Diego disse a primeira coisa que lhe veio em mente, mas percebeu que não convencera a professora. -Sei...Claro... -ela fingia que acreditava. -Bom, então boa noite, crianças... -e saiu da sala. Depois de quase terem arrumado tudo, bastando poucas mesas, Li sentou-se ao chão e suspirou profundamente. -O trabalho ainda não terminou Srta Silveira. -Dih brincou, sentando-se ao lado de Li. -Engraçadinho... -ela deu um breve sorriso e olhou nos olhos de Diego. -Sabe, ás vezes eu sinto falta da vida trouxa que eu tinha antes de completar 11 anos... Era legal não se esconder, ter amigos verdadeiros, e mesmo morando num lugar que é cheio de bruxos... Nenhum é igual à mim, entende...? Eu tento ser agir normalmente enquanto vivo em São Paulo, mas... Não é tão fácil quanto parece... Pelo que observo, você e a Gabi não têm esse problemas, mas é porque ela se parece muito com as meninas normais, vai ao shopping, é louca pela beleza dela, e você, você é poético, é bonito, não posso negar, e também, é bem parecido com os meninos normais... -Elisha desabafou pela primeira vez na vida tudo o que pensava. Sentia-se segura contando isso a Diego. Era como se ela o conhecesse há muito tempo. -Li! Relaxa! Você tem a mim, a Gabi, Melissa, e muitos outros! -Elisha repousou sua cabeça sobre o ombro do rapaz, que passou o braço por trás da morena e acariciou o cabelo desta. -E pode ter certeza de que as amizades que você fizer aqui, são verdadeiras e eternas... Pois todos nós amamos você! -o coração disparou quando Diego as duas últimas palavras. Li, ainda com a cabeça repousada no ombro do loiro, olhou para Diego. Estava embaraçada e não sabia o que estava fazendo ao certo. Seus pensamentos confundiam-se com as palavras ditas por Diego. Ela tentava organizar seus pensamentos, mas ela, além de se embaraçar mais ainda, perdia-se nos olhos azuis daquele que fazia seu coração tanto disparar. Diego, por sua vez, sentia o mesmo, e olhava a menina nos olhos. Suas respirações ofegantes se misturavam e eles não sabiam se movimentar dali. -Nós devemos arrumar a sala...É... -ela interrompeu qualquer atitude de Diego. Elisha reiniciou a organização da sala, enquanto Diego saía de seu transe. Ela terminou de organizar todas as mesas e cadeiras e respirou fundo. -Hey, Diego... -Li aproximou-se de Diego e acenou com uma das mãos para o loiro. -Eu já terminei de arrumar a sala, nós não vamos mais ensaiar nossas falas não??? Diego! -An? Ah, sim, claro, desculpe...Nossa! Você já arrumou tudo? -Não, é uma miragem! Você só ta sonhando! -Li ironizou. -Nossa...calma! -o loiro disse como se nada houvesse acontecido. -Então, vamos ensaiar? -ele levantou-se do chão e ofereceu o braço para Elisha segurar. -Vamos. -ela sorriu docemente e acompanhou o garoto até o jardim. O jardim estava cheio. Casais namoravam sob o lindo céu estrelado daquela noite quente, mas agradável. -Aonde ficaremos? -Li perguntou preocupada. -Tem que ser num lugar um tanto isolado... Quero evitar comentários maldosos sobre nós dois... -E o que tem os comentários maldosos? -Diego disse normalmente. Li fechou a cara a olhou para o loiro, que deu um sorriso amarelo e procurou um lugar para treinarem suas falas, antes que Elisha o matasse ali mesmo. -Achei! -ele disse depois de um tempo. -Não é muito escondido, mas pelo menos não tem quase ninguém... -É perfeito. -ela disse, sentando-se sobre a grama. Os dois leram primeiramente suas falas, e depois ensaiaram juntos. -“[...]Romeu! -Li estava nervosa, olhava fixamente para o papel. -Minha querida? -Diego levantou a cabeça de Li, fazendo-a fitar nos olhos do loiro. -A que horas, cedo, devo mandar alguém para falar-te? -ela decorara suas falas. -Às nove horas. -Diego fitou os olhos da morena. -Sem falta. Só parece que até lá são vinte anos. Esqueci-me do que tinha a dizer. -Li aproximava-se do rosto do rapaz. -Deixa que eu fique parado aqui, até que te recordes. -Diego começara a sussurrar e aproximar-se da morena. -Esquecê-lo-ia, só para que sempre ficasses ai parado, recordando-me de como adoro tua companhia. -Li já fechara os olhos, e deixou o papel que segurava cair no chão. -E eu ficaria, para que esquecesses, deixando de lembrar-me de outra casa que não fosse esta aqui.[...]” -Diego também deixou cair o papel com suas falas, e segurou na cintura da morena disfarçada e lentamente. Os dois aproximavam-se devagar, e, quando finalmente puderam sentir suas respirações ofegantes, Li afastou-se assustada. -E-eu deixei meu papel cair, e nós não temos muito tempo, certo? -ela ainda ofegava. -Certo. -ele disse olhando para baixo e procurando seu papel. -Aqui está. -ele abaixou-se e pegou o papel. -Olha! Uma estrela cadente! Faz um pedido! -Li largou tudo, ou melhor, o papel que segurava, fechou os olhos e fez seu pedido. Diego fez o mesmo. A estrela cadente passou e os dois se olharam sorrindo. -A noite ta linda né? -Li sentou-se sobre a grama fofa e apreciou as estrelas. -É sim... -Diego também sentou-se, ao lado de Li, mas preferia olhar para a morena. -É linda. -Então, qual foi o seu pedido? -Li agora olhava para o garoto. -Bom, ele foi muito simples... -disse ele sorrindo um tanto que maliciosamente. -E sabe que até pode se realizar hoje! -Dih aproximou-se de Li. -Sério? E o que foi que você pediu e pode se realizar agora? -Elisha perguntou por curiosidade. -Bom... -ele ficou um tanto encabulado. Diego rapidamente avançou sobre Li e beijou-a. A garota não se movia, estava assustava, até se entregar totalmente aos encantos de Diego Chanel. Seus lábios não se moviam até o momento em que Diego os moveu. Elisha não sabia o que estava fazendo, nem se o fazia certo, mas seguia o que Diego fazia. Suas línguas brincavam dentro de suas bocas, e suas respirações embaçavam seus pensamentos. Os corações pulsantes um contra o peito do outro os faziam aproximar-se ainda mais. Li agora brincava com as madeixas loiras do menino e sorria. De repente, a morena empurrou-o assustava e ofegante. -Eu... -as lágrimas subiram aos olhos de Li. -Sinto muito... -ela já chorava e agora balançava negativamente a cabeça. -Li, calma! -Diego sorria contente. -Você não está fazendo nada errado! -Não é certo...A...Gabi, ela é sua irmã! Diego, eu acho que você está apaixonado por mim...Mas...não se preocupa que daqui a pouco você me esquece, e você não precisa me iludir! Eu realmente sinto muito... -Li estava aos prantos. A morena rapidamente levantou-se e saiu correndo. Estava assustada e não conseguia pensar em nada. Foi correndo para seu dormitório, e deu graças a Merlin por Gabrielle não estar no quarto. Nem sequer trocou a roupa, jogou-se sobre sua cama e chorou. Seu coração doía, e agora sim sentia que havia feito algo errado. Diego voltou a seu dormitório. Ele realmente gostava de Elisha, e não entendia a atitude dela. Tomou um refrescante banho e deitou-se. Não estava com sono, e só conseguia pensar naquele beijo. No dia seguinte, Li acordara bem cedo e tomou seu banho matinal. Colocou um uniforme limpo e foi para a única aula daquele dia, a única que ela não queria ter no momento. Teatro. Um tempo depois, os outros alunos entraram na sala, alguns comentavam sobre não encontrarem Li na biblioteca ontem, depois das aulas, mas Elisha não ligou para eles. Diego entrou na sala juntamente com Gabi e a professora Alexandra, o que fez Li tremer. -Por favor, atenção alunos! -a professora chamava a atenção batendo suas mãos de leve. -Bom, espero que tenham treinado suas falas, pois vocês vão representar cada uma delas aqui, na frente de todos! Bom, começando, quero Elisha Silveira e Diego Chanel aqui na frente para representarem sua parte. -Li levantou-se e corajosamente olhava nos olhos de Diego. -Podem começar! -a professora sentou-se em sua cadeira. -“[...]R-Romeu! -Li, nervosa gaguejou, mas já tinha suas falas na ponta da língua. -Minha querida? -Diego relembrou a noite passada. -A que horas, cedo, devo mandar alguém para falar-te? -ela já estava perdendo a paciência com toda aquela falsidade. -Às nove horas.[...]” -Diego fitou os olhos da morena. -Ain, eu já não agüento mais! -Li deu-se conta de que isso não estava entre suas falas. -Como podes ser tão mentiroso? -ela improvisou. Diego olhou assustado para a morena. -Não fui eu quem fugiu de você ontem! Como podes negar a nossa paixão? Eu já sei! Você tem medo...Medo de ficar comigo...Porque também estás apaixonada por mim! -ele seguiu o exemplo. -Não ouse dizer que... -Li foi interrompida pois Diego abraçou-a, e depois beijou seus delicados lábios. Os dois beijaram-se por longos segundos, que tiraram o fôlego dos espectadores, até que Elisha o empurrou, seguidamente de um tapa, que deixou o rosto do garoto vermelho. -Nunca mais se atreva... -o rosto de Li estava ruborizado. A morena jogou o papel com suas falas no chão e saiu da sala. Após alguns segundos, Alex aplaudiu, e foi acompanhada pelos outros alunos, que mesmo chocados, apreciaram a nova versão. -Vocês foram esplêndidos! -A professora estava impressionada com a atuação. -Obrigado. -ele sorria sem-graça. -Bom, pode ir, Sr Chanel, bom domingo. -a professora sorria. -Obrigado professora, bom domingo para a senhorita também. Diego saiu, e foi para o jardim, queria pensar sobre o que havia feito naquele dia e na noite passada também. Li foi para a biblioteca, esconder-se atrás de seus grandes livros. Queria apenas esquecer-se do mundo.