A volta
O dia estava ensolarado e o calor era de queimar neurônios. Mas nada podia abalar Pedro. Aquela escola nunca pareceu tão bonita e aconchegante. Os gramados verdejantes, As lindas garotas passeando, soltando risinhos. Tudo aquilo o fazia sentir-se finalmente em seu lar.
PP tirou a mochila das costas e tacou no chão do gramado. Após isso, deixou-se cair, ao lado dela, sentindo o verde em suas costas, e por um instante fechou os olhos.
Durante esse bimestre, ninguém soubera onde ele tinha se metido, as corujas não pareciam achá-lo. Assim que acabavam as aulas, ele parecia desaparatar. Alguns estavam suspeitando que estivessem levando um gelo. Mas não era nada disso. Ele só... PP balançou a cabeça, quando percebeu que estava quase voltando a pensar no inferno que fora trabalhar durante aquele trimestre.
Quando abriu ainda ofuscado com a luz, só viu a silhueta, de Elisha, e sorriu.
- Olá, sumido!
- Li!- respondeu o garoto, com um sorriso.
A morena sentou ao lado do rapaz, sorriu e lhe deu um forte abraço.
-Há quanto tempo!
- Pois é, ando meio ocupado. - respondeu, fazendo suspense.
-Com o quê, posso saber mocinho? - disse à morena que estava mais descontraída que a última vez que Pedro a vira.
- Na verdade, não. - riu-se o garoto, mostrando a língua.
-Ai, credo! - ela fingiu-se de ofendida. - Então também não quero mais papo! - completou, fazendo menção de levantar.
- Tá, né, se é assim! Hunf! Não sou mais seu amigo! - disse ele, fazendo beicinho e ameaçando chorar.
Li soltou um grito típicamente de Gabi Chanel e sentou novamente.
-Não, eu sou sua amiga! - ela disse rindo.
- Tava com saudade de você!- sorriu ele. - Ah, é... Eu fiz uns desenhos durante esse intervalozinho... Quer ver alguns?
-Ah, eu também tava morrendo de saudades PP! - ela sorri novamente. - Mas me mostra os desenhos! - os olhos encantados da morena estavam curiosos pelos desenhos.
Pegou a mochila e retirou alguns desenhos, muito bem feitos e lindos, porém amassados e mal-cuidados. Um deles mostrava o rosto de Eli, sorrindo e coom um lápis sobre a orelha.
-Own, que lindo Pedro! - ela rapidamente pegou o que lhe retratava e admirou-o.
- Que bom que... você. gostou... awwhnnn- disse ele, no meio de uma espreguiçada- Acho que tem um da Chanel ai em algum lugar...
-Chanel? Gabi? - ela perguntou animada. - Aonde? - ela sorriu.
- Tai no meio... - sorriu ele, pegando umas dez folhas, procurando. Passou por Diego, ele mesmo, Mel, e, Ahá, ali estava a Gabi. - Aqui.
-Tem do Dih aí? - ela perguntou involuntariamente.
- O Chanel masculino? Aqui. Acho que fiz todo mundo que eu lembrava o nome... No que eu estava fazendo, havia vários momentos em que eu não tinha nada a fazer, então devo ter desenhado metade do CEBES.
Ela rapidamente pegou o desenho e o admirou.
-Tão l... - ela pigarreou. - Loiro, né? - ela sorriu corando.
PP riu, e pela primeira vez reparou que a amiga tinha algum tipo de sentimento diferente pelo Chanel masculino.
Não perdendo a oportunidade, pegou o desenho da mão da garota e sacou o lápis do bolso, e começou a desenhar furiosamente.
- O que você tá fazendo? - perguntou Elisha, se esticando toda para tentar ver, mas o garoto virou as costas, impedindo sua visão.
- Você verá- sorriu PP, com uma cara maligna.
A cada movimento do moreno, Li sentia mais medo do resultado.
-Me conta vai! - ela tentava olhar.
Mostrando o resultado, atrás do rosto do garoto, havia uma morena, muito parecida com Li, com os olhos brilhando e uma babinha saindo da boca.
O moreno riu com gosto.
Elisha apenas gritou escandalosamente e roubou o desenho do rapaz.
-Como você ousa? Essa não sou eu, não sou eu. - porém não tinha como negar, era Elisha.
Ele não parava de rir, E a garota não parava de corar.
Li nem sequer conseguia pensar em rasgar a folha, sua vergonha misturada com fúria era imensa.
- Calma, calma. - ele parou de rir, sacando sua varinha- Apagadun!
O desenho da parte de trás desapareceu.
-Acho bom mesmo! - Li respirou aliviada. - Quem disse que eu gosto do Diego? - ela disfarçou.
- Ah, um passarinho vermelho que mora embaixo da pele de sua bochecha. - sorriu ele.
-Você entrou no time de quadribol, sabia? - ela sorriu e abraçou o rapaz como se nada tivesse acontecido. - Parabéns!
- O.. o que? Nossa! Cara, fala sériooooooooooooooooooo!
O garoto vibrava, e seus olhos brilhavam como estrelas. Li apenas sorria.
- E... e você, Li, entrou? - perguntou o garoto, ainda vibrando.
-Ah... - ela fez uma cara triste, fazendo Pedro concluir que ela não passara.
-AH, bem, eu sinto... Muito... - ele disse sem-graça.
-Não sinta... Porque eu também passei... - ela abriu um largo sorriso.
O garoto sorriu e, num salto, levantou, puxando a garota pelo braço, correndo para o campo de quadribol, ao mesmo tempo que balançava a varinha e ordenava:
- Accio vassouras!
-Ahm? Quê? - Lii não entendera o que ele disse. - Ah, jogo não! - ela disse um tanto desanimada. - Eu quero saber aonde você foi... - ela olhou nos olhos do rapaz e sorriu.
- Aah, nenhum lugar interessante- disse ele, virando o rosto para o outro lado, para evitar olhar nos olhos de Li.
Mas a garota parou séria.
Ele também.
- Tá bom, sentai que vou te cont- ARG! - disse ele, quando duas vassouras o atingiram pelas costas, e ele caiu, de frente, direto no chão.
-Oh my God! - Li observou a cena e ajudou o rapaz a se levantar. - Tá tudo bem?
- A-cho que sim.- O garoto sorriu amarelo, massageando as costas. Esquecera completamente que fizera um feitiço convocatório. E ele era péssimo neles.- Bem, senta aí, que eu te explico.
Ela sentou e ficou observando o rapaz sorrindo.
-Pronto, pode começar...
- Bem, você sabe que a minha família não nada em dinheiro. Minha mãe tem uma ponta como feitora artesanal de vassouras- disse ele, mostrando sua vassoura, de péssima aparência e ótima qualidade- Mas não dá muito lucro. Então durante esse tempo eu fiz um bico como garçom numa lanchonete trouxa e porca. Você tinha que ver o que aqueles caras comem! É gordura com pão em cima!
" A comida era tão ruim, que havia longas horas que a loja permanecia vazia, mas o patrão não deixava nem ir ao banheiro. Então eu fingia estar anotando algo na minha prancheta enquanto desenhava...
- Ele descobriu, por isso acho que perdi metade dos desenhos, que ele rasgou, mas não me importo muito- mentiu o garoto.
-Ah... Lamento pelos desenhos... - ela disse olhando para o rapaz. - Mas por que você escondeu por tantos trinta minutos? - ela sorriu. - Podia ter me contado antes!
- Ah, e... Sei lá... Por mim eu não tinha contado nem agora... - disse o garoto, olhando para o céu- Não é nem porque somos pobres, somos mesmo, e daí, é porque eu não queria trabalhar. Não queria mesmo. Eu tô exausto...
-Bem, mas você tá aqui, entre amigos... Pode sempre contar com a gente. - ela piscou e sorriu para o moreno.
- É...
Ele parecia não estar muito seguro. Li continuava a achar que ele guardava um segredo.
Mas ela estava errada. Aquilo já deixara de ser um segredo. Era muito mais profundo.
PP nunca, nunca ia contar para ninguém que matara seu pai.
Postado por CEBES ás 7:54 PM
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