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quinta-feira, agosto 09, 2007 |
-Gabizinha? -perguntou o rapaz.
-Gustavo? Ai quanto tempo! -disse a loira o abraçando.
-Essa é minha amiga Elisha do meu colégio. Li esse é o Gustavo.
O rapaz sorriu para Elisha e a cumprimentou. Gabi e Gustavo ficaram conversando até o elevador parar no quinto andar, onde o rapaz saiu.
-Ele é um velho amigo... -disse a loira ao ver o olhar da amiga.
Segundos depois o elevador parou no décimo andar. As duas saíram e em frente havia uma porta dupla branca.
-Eu falei para você não reparar ok?
-Pode deixar...
A loira abriu a porta e Elisha deu um gritinho de susto.
Era uma imensa sala com as paredes brancas, com quadros magníficos nas paredes, Elisha conhecia alguns e eram de pintores famosos. Tinha um sofá gigantesco branco e de frente havia uma estante enorme com uma televisão de espantar a qualquer um. No meio havia uma linda escada de madeira e do outro lado estava uma mesa de jantar com uma toalha bordada a mão.
-O que houve?
-Sua casa... É... Linda!
-É... Eu não tenho do que reclamar, mas também não é motivo de gritinhos...
-Acredite... É sim...
-Vamos para o meu quarto para eu pegar um dinheiro.
As duas foram por um imenso corredor e Gabi ia apontando para as portas e dizendo onde era o que...
-Aqui é o escritório disse a loira empurrando uma porta e Elisha pode ver uma escrivaninha na frente de uma imensa estante de livros, e viu de relance um sofá e uma mesa coberta de revistas de moda.
-E aqui... É o meu quarto... -disse a garota entrando em um imenso quarto cor-de-rosa. Elisha ficou boquiaberta.
Era um quarto gigantesco, com uma cama de casal e uma porta de vidro que dava para um closet dos sonhos. Havia uma escrivaninha coberta de revistas alinhadas perfeitamente e um laptop ao lado. Um aparelho de som prata com vários CDs em um móbile. E a morena viu um imenso quadro com uma foto de Gabrielle com um vestido azul perfeito e Diego ao lado com uma roupa linda, que fazia qualquer garota babar pela beleza do rapaz e pelo vestido da loira, e que fazia qualquer garoto ficar vidrado com o charme que a loira tinha.
-É realmente muito lindo... -Li ainda babava no quarto da loira. -Eu...Nem sei o que dizer. -a morena olhava cada detalhe do quarto, apreciando cada centímetro. -Mas você não enjoa de tanto rosa não? -Li imediatamente olhou para Gabrielle, que agora gargalhava gostosamente.
-É claro que não, meu bem, você acha que eu algum dia vou enjoar dessa cor tão linda? -os olhos de Gabi brilhavam.
-Nossa, você deve amar seu quarto então, acertei...? -Li sorriu. -Mas então, eu quero conhecer a cidade! Você vai demorar muito aqui? Sabe, eu ainda quero ver se os shoppings daqui são tão lotados quanto os de São Paulo... -ela continuava sorrindo.
-O.k. Eu só vou pegar umas coisinhas e... -a voz de Gabrielle foi abafada pela voz de uma senhora.
-É você Bibizinha? O seu irmão está tomando banho e pediu para você esperar ele...
-'Bibizinha'? -perguntou Li abafando o riso.
-A quanto tempo ele entrou no banho? -perguntou Gabrielle encarando Elisha que tentava não rir.
-O Diguinho entrou no banho há uns dez minutos. -disse a voz entrando no quarto. -Ah, desculpe.Eu sou Lurdes... Fui babá do Diguinho e da Bibizinha, e hoje cuido da casa.
-Essa é a Elisha minha amiga da escola. Não me chama de Bibizinha... É vergonhoso demais...
-Mas era como seu irmão lhe chamava quando vocês eram pequenos... Lembra? Bibizinha e Diguinho? Eles eram lindos juntos... -disse a senhora para Elisha piscando o olho. -Bibi, essa blusa não é sua?
-É sim.
-Reconheci. Foi a que seu pai trouxe de Milão junto com aquela boina preta que seu irmão adora.
-Essa mesma. -disse a loira pegando tudo que precisava. -Avisa pro Digui que eu estou lá em cima, ok? Vamos Li, vamos pegar algo para comer e subimos.
-Certo Bibizinha...
Gabrielle olhou feio para Li que riu.
-É bom esse apelido NUNCA chegar aos ouvidos de ninguém do CEBES... Entendeu? -disse Gabi, que chegava a dar medo.
-Oh, é claro, minha senhora. -Li inclinou-se para Gabi como se fosse serva da loira. -Mais alguma coisa, senhora? -ela brincou.
-Bem... Você podia fazer meu dever de casa... E...
-Calma! Calma! Eu só estava brincando! -disse Li se desesperando ao ver que a lista que a loira podia fazer seria enorme.
-Você é tão tolinha... -disse a loira rindo entrando na cozinha. -Quer comer o que minha tolinha?
-Qualquer coisa, Bibi...
Gabrielle fechou a cara e pegou dois sanduíches e entregou um para a morena junto com um copo de suco. As duas saíram da cozinha e subiram as escadas que davam a uma sala de jogos com uma mesa de sinuca profissional e um bar cheio das mais diversas bebidas.
Gabrielle abriu uma porta de vidro que dava para um belo terraço com uma piscina. A loira se sentou em uma cadeira e a morena sentou-se também.
-Ai, ai... -Li relaxava na cadeira. -Você não se cansa não né?
-De que? -Gabi olhou para a amiga.
-Ah, disso tudo, quer dizer, não dá pra cansar, mas será que você não tem vontade de fugir disso tudo? Poder sumir, passear na rua sem ninguém te reconhecer, ou ter que ser sempre agradável...Sabe, eu às vezes me canso do que posso ter mas não tenho porque não quero... -Li falava como uma famosa. -Sabe, às vezes você ser uma pessoa normal também é legal. -Li olhava para o céu azulado. -Se dependesse das minhas tias, eu era como você, super popular, linda, maravilhosa, e visívelmente rica. Meu pai não se acha um cara rico pelo dinheiro que ele tem, e sim pela família, e isso me admira nele, sabe. Já minha mãe diz que ela tá feliz se eu tô feliz. Eu acho que não estou satisfeita sendo a CDF, mas não sei se seria feliz mostrando todo o dinheiro que minha família tem... Sabe, meus pais sempre dizem que o dinheiro não traz felicidade, é verdade, mas aí eu me pergunto, se ele não traz felicidade, por que meu pai continua enriquecendo? -Li por um momento sorriu. -Eu já perguntei isso pro meu pai, e ele sempre diz que mesmo não querendo, ele ganha sempre mais e mais dinheiro, e até brinca que tem a minha mãe pra equilibrar, sabe, porque ela é professora. Mas mesmo assim, ela ganha bem... -ela calou-se, como se algo a enterrompesse.
-Olá meninas! -uma voz masculina as interrompeu.
-Bom dia, Diego. -Li sorriu para o loiro.
-Bom dia, Digui...
-Gabi... -sussurou o rapaz.
-Esquece a Lurdes falou e ela ouviu... Mas ela não vai contar para ninguém.
-Obrigado. -disse o loiro sorrindo. -Ai, esqueci de ver o telefone do tio Roberto, você sabe onde está?
-Acho que ele tinha deixado um papel com o número dele no escritório.
-Isso! Já volto. -disse o loiro descendo rapidamente.
-E respondendo a sua pergunta... -disse a loira se voltando para a amiga. -Às vezes eu até canso, sabe, ouvir as pessoas falarem "dinheiro não traz felicidade" e eu não sei como é não ter dinheiro para provar, e esse mundinho de cristal que eu vivo pode ser fútil e perfeito demais, mas é o mundo que minha mãe viveu, meu pai cresceu nesse mundo também, então eles se adaptaram a viver assim. Tem dias que eu me canso de ser a "garota-perfeita", de sempre ter tudo que quero, sabe, um dia eu queria saber o que é fazer a diferença por mim mesma e não pelos meus pais. Mas eu acabei aprendendo com o meu irmão que o dinheiro pode não comprar felicidade, mas que se o dinheiro está nas nossas vidas que faça ele gerar felicidade mesmo que seja surreal. E meus pais são felizes pelo que são, eles lutaram para chegar onde estão. E o dinheiro só se tornou a prova disso. Minha avó briga com minha mãe, por que ela me dá tudo que eu quero, e minha mãe fala que a felicidade dela vem de ver o sorriso que eu dou sempre que eu ganho algum presente dela. Mas eu tento explicar para ela que o sorriso não é pelo presente, é porque a minha mãe está comigo, nem que seja um dia ao ano, aí ela me manda mais presentes, e mais dinheiro, e tudo isso é como ter meus pais sempre comigo. Porque você, se você for para casa seus pais estarão lá, se você mandar uma carta para sua casa, sua mãe lhe responderá com carinho. Meus pais não, eles rodam o mundo separados um do outro e dos filhos, e a maneira de matar saudade é mandando presentes ou e-mails. Eu passei aniversários só com meu irmão e com a Lurdes. Por isso que eu vivo nesse meu mundinho de cristal cor-de-rosa. Porque é mais fácil aceitar tudo da maneira que está do que questionar. E esse "dinheiro que não traz felicidade" alegrou muitas pessoas quando meu pai dôou para os que mais precisavam. Então não tem como dizer que dinheiro não traz felicidade, pode não trazer, mas ajuda a ser feliz... É como uma 'ponte' para felicidade...
-Vamos garotas? -chamou Diego na porta arrumando a boina na cabeça. Elisha reparou que era a boina que Lurdes havia falado que foi presente do pai.
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